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Os dragões-barbudos

🦎 Répteis

O Dragão-barbudo (Pogona vitticeps) é sem dúvida o réptil que melhor merece o qualificativo de NAC (novos animais de companhia). Familiar para com o ser humano, de um tamanho ao mesmo tempo suficiente para fazer dele um animal espetacular e suficientemente reduzido para que o seu alojamento seja fácil de gerir, é robusto e fácil de criar.

CLASSIFICAÇÃO

Pertence à família dos agamídeos. Caracteriza-se por uma aparência geralmente robusta e pela forma triangular da cabeça. Ao contrário dos membros de outras famílias, como os lacertídeos, os agamas não conseguem separar-se da cauda para escapar a um predador (= mecanismo de autotomia). Outro elemento determinante, comum a todos os agamas, é a sua dentição do tipo acrodonte (dente implantado no topo do maxilar).

Os Dragões-barbudos pertencem ao género Pogona. Trata-se de um animal bastante robusto, com cerca de cinquenta centímetros de comprimento, cuja parte de trás da cabeça, o pescoço e os flancos estão guarnecidos de escamas espinhosas que podem constituir uma proteção contra os predadores, tornando o lagarto particularmente desagradável de engolir. Outra particularidade é a sua capacidade de eriçar uma espécie de «barba» guarnecida de escamas espinhosas, ao mesmo tempo que abre a boca. Esta parada, destinada aos predadores, tem por objetivo fazer o lagarto parecer maior do que realmente é.

É originário da Austrália, mais precisamente das savanas desérticas ou semidesérticas que rodeiam a parte mais desértica situada no coração do país. Os Dragões-barbudos têm um modo de vida diurno, ao mesmo tempo terrestre e semiarborícola. Empoleiram-se frequentemente nas árvores, em postes ou termiteiras, para dormir ou vigiar o seu território. Dentro de um grupo, é fácil identificar o dominante, que tende a ocupar a posição mais elevada nos «poleiros».

DADOS BIOLÓGICOS

Os répteis têm todos sangue frio (de temperatura variável); no entanto, todos os répteis possuem um limiar de temperatura ótimo (a T.M.P. = Temperatura Média Preferencial) que permite ao seu organismo funcionar bem e do qual não se podem afastar impunemente: se a sua temperatura interna desce, não conseguem digerir nem mover-se e as suas defesas imunitárias entram em colapso. Em contrapartida, uma temperatura demasiado elevada atinge um limiar chamado Temperatura Máxima Crítica (a T.M.C.), correndo o risco de morte por hipertermia. Estes valores situam-se entre 35 °C para a T.M.P. e 44 °C para a T.M.C.

É, pois, necessário ter cuidado durante as sessões de manipulação, para não o expor de forma prolongada a temperaturas demasiado baixas ou a correntes de ar.

No que diz respeito aos sentidos, o que domina é a visão. Permite-lhes detetar os predadores e identificar os seus congéneres, mesmo a distâncias consideráveis. São mesmo capazes de distinguir as cores.

A sua longevidade varia entre 4 e 10 anos.

REPRODUÇÃO

A maturidade sexual é atingida entre os 12 e os 24 meses de idade. É indispensável instaurar um período de repouso de cerca de 2 meses (inverno) durante o qual se baixa gradualmente a temperatura e a duração de iluminação. Durante este período, os animais deixam de se alimentar.

É aconselhável separar 2 indivíduos durante cerca de 2 semanas antes do acasalamento, a fim de os alimentar de forma equitativa.

Pode voltar a juntar-se o casal, o que pode dar origem a 3 atitudes: 1) Indiferença, indivíduos demasiado jovens, não se agradam. 2) A fêmea pode agredir o macho (que cessa bastante depressa as suas investidas). 3) O macho entrega-se à parada nupcial, o acasalamento dura 2 a 3 minutos.

O intervalo entre o acasalamento e a primeira postura é de 21 dias; a fêmea põe entre 10 e 30 ovos, e o processo dura várias horas. O número médio de posturas por estação é de 3, podendo ir até 6 no máximo, com 1 mês de intervalo entre cada postura. Eclosão dos juvenis entre 85 e 100 dias. HABITAT

Coabitação possível, a evitar com dois machos adultos e atenção à sobrepopulação. E deve prestar-se atenção durante o período de reprodução. Deve evitar-se adotar uma fêmea sozinha, devido ao risco de retenção dos ovos caso os óvulos permaneçam por fecundar; será preferível um macho.

Terrário desértico, temperatura adequada elevada e humidade baixa. O ideal é o terrário de vidro especialmente concebido para répteis. A sua altura e a superfície no chão são muito importantes. Se basicamente se fala de 100cm x 60 cm x 60 cm, alguns autores propõem mesmo um comprimento de 1.80m.

Disposição: bem-estar + aspeto sanitário!

Aquecimento: TMP a atingir. 2 possibilidades: ou um gradiente de temperatura para que o Pogona possa migrar de um para o outro (27-30°C e 32-37°C), ou arrefecer durante a noite (20-22°C).

Iluminação: Tubo UVA + UVB tipo Zoomed, mudar 1x/ano. Eventualmente no exterior se estiver muito calor, com sombra. Respeite os ciclos dia/noite: 14/10 h!

Humidade: Seco.

Abrigos: indispensáveis. Para o Pogona, grandes ramos, cascas de carvalho, cortiça côncava.

Recipiente de água: Permanentemente; eventualmente uma pequena piscina para os que gostam de se molhar!

Substrato no chão: Areia, eventualmente substrato tipo Biorep. A mudar a cada 3-4 meses; limpar o terrário com lixívia diluída, álcool a 90° ou produtos de limpeza de lojas de animais.

+ Plantas, não tratadas, sem espinhos, fundos de terrário em resina tipo pedra, como paredes de escalada.

ALIMENTAÇÃO

Os Pogona são omnívoros; aconselha-se uma alimentação meio a meio: 50% de vegetais e 50% de proteínas animais. 1) Relação Ca/P = 2/1. 2) Cuidado com a nutrição das presas, alimento de qualidade e corrigir o aporte de Ca, e o pogona beneficiará diretamente. 3) Evitar insetos frescos capturados perto de uma zona tratada com pesticidas. 4) Variação dos menus. 5) Adaptar o tamanho dos alimentos ao do lagarto (a presa deve ter no máximo o tamanho da cabeça do pogona, mais pequena para pogona gestante). 6) Atenção às lesões causadas pela presa. 7) Hora da refeição: 1-2 h após acender a iluminação + aquecimento e 3-4 h antes de apagar à noite. 8) Juvenis 1-2 x/dia e adultos 1x/dia ou de dois em dois dias.

Eis alguns dos alimentos mais aceites… (relação cálcio/fósforo correta)

  • Vegetais
  • Origem Animal
  • A Luzerna
  • Os Grilos (sobretudo para os juvenis)
  • O Dente-de-leão
  • As Baratas
  • O Trevo
  • As Larvas da farinha (polvilhadas com cálcio)
  • A Chicória
  • As Larvas da farinha gigantes
  • O Agrião
  • Os Gafanhotos
  • Os Figos
  • A Papaia
  • As Laranjas

Doenças frequentes

No Dragão-barbudo, a maioria das doenças está ligada a condições de terrário inadequadas (calor, luz UVB, alimentação).

O ponto mais importante a reter: um pogona saudável depende antes de mais do seu ambiente. Um calor suficiente, uma boa lâmpada UVB e uma alimentação rica em cálcio previnem grande parte dos problemas.

O distúrbio mais clássico é a falta de cálcio e de UVB. Os ossos tornam-se frágeis, o animal treme, a mandíbula pode tornar-se mole ou deformada (fala-se de «doença óssea metabólica»). Sem UVB, o cálcio fornecido pela alimentação é mal aproveitado.

Se o pogona engolir substrato (areia, aparas), este pode bloquear o tubo digestivo (oclusão chamada «impactação»). O animal deixa de fazer as suas fezes, come menos e incha. Vermes ou parasitas no intestino (parasitas internos) também são possíveis, sobretudo num animal adquirido recentemente.

Uma respiração difícil, de boca aberta, com bolhas de muco à volta do nariz ou da boca, sugere uma infeção das vias respiratórias. Surge muitas vezes quando o terrário está demasiado frio ou demasiado húmido.

💡

Conselho do veterinário Uma lâmpada UVB de qualidade, mudada uma vez por ano, e um aporte regular de cálcio são os seus melhores aliados para manter ossos fortes.

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Quando consultar rapidamente tremores, membros ou mandíbula deformados, perda de apetite, ausência de fezes, animal mole ou apático.

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Quando consultar de urgência respiração de boca aberta, bolhas de muco, animal que já não reage ou recusa qualquer alimento há vários dias.

A reter a maioria das doenças do pogona provém de um terrário inadequado: cuide do calor, do UVB, da humidade e do cálcio. Estas informações não substituem uma consulta.

🩺

Uma questão sobre o seu dragão-barbudo? O Consultório veterinário Au Furet, em Echichens, é especializado em NAC: +41 21 811 55 11, marcação onlinesaber mais.

🚨

Emergência? Contacte primeiro o seu consultório habitual: o atendedor de chamadas indica o número do veterinário de plantão. Ver o procedimento a seguir.

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