Quem nunca ouviu falar da célebre Anaconda ou da Boa constrictor? Menos conhecidas, mas fazendo também parte desta família, estão as pequenas boas-das-areias e as pitons.
A Família dos Boídeos faz parte da superfamília dos Boídeos, tal como os Xenopeltídeos, os Loxocemídeos, os Bolierídeos e os Tropidofiídeos. Divide-se em três subfamílias, que são os Boíneos (boas), os Pitoníneos (pitons) e os Ericíneos (boas-das-areias). Os Boídeos são sobretudo conhecidos graças às serpentes gigantes. Com exceção de alguns espécimes, estes potentes constritores têm uma cabeça bem distinta do corpo. A sua boca tem a capacidade de se poder abrir amplamente devido à mobilidade da maxila superior e das mandíbulas.
Para além das diferenças ligadas à anatomia do seu crânio, as pitons distinguem-se das boas por porem ovos (ovíparas), mas também porque possuem, praticamente todas, fossetas termossensíveis. Note-se, contudo, que algumas boas possuem igualmente estas fossetas, que lhes permitem ter uma visão infravermelha. As boas são ovovivíparas (as suas crias nascem vivas), com exceção da Boa Charina.
De uma maneira geral, as boas ocupam a metade sul do continente americano e Madagáscar, ao passo que as pitons se encontram em África, na Austrália, na Índia e na Indonésia e nas ilhas do Pacífico. As boas escavadoras, por seu lado, estão presentes na América do Norte, em África e da península arábica até à Índia.
REPRODUÇÃO
Determinação dos sexos, tamanho e maturidade sexual
A determinação dos sexos nos boídeos nem sempre é evidente, pois poucas espécies apresentam um dimorfismo sexual flagrante. O método mais utilizado, e por enquanto o mais fiável, é sondar os animais.
Esta técnica, a reservar ao veterinário, consiste em introduzir delicadamente uma sonda metálica lubrificada, pela cloaca, em direção à cauda. No macho, a sonda penetrará profundamente no local onde se alojam os hemipénis (em média 10-12 escamas subcaudais). Na fêmea, a sonda penetra pouco (2-4 escamas subcaudais).
A maturidade sexual situa-se em média entre os 3 e os 5 anos na maioria das pitons e das boas.
A primeira condição para que animais se reproduzam em cativeiro é que estejam em perfeita saúde. Serpentes demasiado gordas ou demasiado magras são raramente bons reprodutores.
Na natureza, reproduzem-se segundo o ciclo das estações. Os períodos dependem das temperaturas, das chuvas e do fotoperíodo (duração da luminosidade).
Em cativeiro será, pois, necessário tentar reproduzir as mudanças climáticas para estimular os animais.
Gestação, nascimento, incubação.
Nas boas, a duração da gestação é difícil de estimar, pois o acasalamento estende-se por um longo período. Em geral, a gestação dura 4 a 8 meses, consoante as espécies. Durante este período, seria necessário fornecer à serpente um ponto quente mais intenso do que o habitual. As pequenas boas nascem em sacos vitelinos dos quais se libertam facilmente. As ninhadas vão de 4 recém-nascidos a 60 numa fêmea de grande porte.
Nas pitons, o período entre a ovulação e a postura dura 2 meses; ocorre uma muda antes da postura. O número de dias entre a muda e a postura é próprio de cada espécie. As fêmeas enrolam-se à volta dos ovos, onde permanecem até à eclosão.
Em várias espécies, constatou-se que eram capazes de elevar a temperatura do corpo para manter os ovos à temperatura certa. Em cativeiro, a incubação pode ser deixada à mãe ou então feita artificialmente. A incubação dura cerca de 60 dias a 30-31 graus, com uma taxa de humidade de 95% a 100% (varia consoante as espécies).
Alguns pormenores sobre as espécies de boídeos mais comuns?
A píton-real
Nome comum; Python regius ou Píton-bola. Tamanho adulto: 1.0 a 1.80 m.
Distribuição: África Ocidental e Central (pradaria, savanas, planícies arborizadas, florestas tropicais secas).
É a mais pequena píton do continente Africano. Tem um corpo atarracado e a cauda é relativamente curta. A cabeça, de cor castanho muito escuro a preto, é bem distinta do pescoço, e uma fila de fossetas loreais é visível de ambos os lados da mandíbula. A cor de base vai do amarelo-dourado ao castanho-escuro, com manchas por vezes debruadas de branco. A píton-bola deve o seu nome ao facto de, quando incomodada ou stressada, se enrolar numa bola compacta no centro da qual coloca a cabeça. Assim, embora muito dócil, não deixa de ser tímida.
A píton não requer um terrário particularmente grande. Dimensões de 100x60x60 cm são perfeitamente corretas. Um aquecimento de 25 a 35 graus no ponto mais quente será confortável, ao passo que, à noite, temperaturas de 22/25 graus serão preferíveis.
A píton-birmanesa
Nome comum: Python molurus bivittatus, Píton-birmanês
Tamanho adulto: 3.5 a 6.0 m
Distribuição: Ásia do Sul, habita em zonas arborizadas e florestas tropicais.
Faz parte dos gigantes da família dos boídeos, é muito robusta e pode pesar até 130 kg. A cabeça é relativamente retangular, e um V característico de cor bege-rosado desenha-se na parte de cima da cabeça. A cor de fundo, castanha mais ou menos escura, é marmoreada com desenhos alongados bege-claro que puxam para o amarelo. Existem outras cores surpreendentes, devidas à evolução da espécie em cativeiro, como o albino (amarelo e branco), o green (verde-caqui + mancha castanha) ou ainda «granite», «labyrinthe», etc.
Para alojar espécimes adultos até 3,50 m, um terrário de 250x125x125cm é suficiente. Em contrapartida, para animais entre 4 e 6 metros (tamanho de uma fêmea), já não se fala de terrário, mas de um pequeno compartimento de 3x3 m. É bastante fácil de manter, robusta e pouco agressiva. Pode viver 30 anos se for mantida em boas condições.
A Boa constrictor spp.
Nome comum: Boa constritora
Tamanho adulto: 1.5 a 4.2 m
Distribuição: América Central e do Sul, florestas tropicais, savanas húmidas ou secas e zonas semiáridas
É seguramente a «grande» serpente mais mantida no mundo. O seu carácter geralmente dócil, as suas cores e padrões variados (ligados quer às diferentes subespécies, quer a seleções de indivíduos), a sua facilidade de manutenção, bem como a sua aptidão para se reproduzir, contribuíram para a sua popularidade. Esta serpente necessita de um terrário de pelo menos 200x60x80cm para alojar um casal adulto de 2.5 a 3 m. Poderá ser em madeira de pelo menos 12 mm de espessura e bem arejado; os vidros deverão ter uma espessura igual de pelo menos 5 mm.
O aquecimento será fornecido com recurso a resistências de aquecimento ou a um tapete de aquecimento colocado sob o terrário e controlado por um termóstato.
À parte o facto de poder tornar-se grande e, portanto, potencialmente perigosa, é uma serpente que não apresenta dificuldade particular quanto à sua criação. O seu terrário e o seu recipiente de água estarão sempre limpos, e o chão será coberto com papel de jornal ou com um substrato adequado.
Alimenta-se de roedores como o rato, o porquinho-da-índia, o coelho, ou de aves de capoeira.
Alguns conselhos…
- O terrário ou o compartimento que contém a serpente deverá estar equipado com um sistema de fecho à prova de qualquer fuga, tendo presente que as serpentes são peritas nessa matéria.
- O adquirente terá o cuidado de selecionar um animal jovem entre os menos agressivos.
- Desde a mais tenra idade e enquanto viver, a serpente deverá ser manipulada várias vezes por semana pelo seu tratador, a fim de conservar um temperamento calmo.
- As manipulações nunca deverão ser praticadas na sequência de um contacto com presas potenciais. O olfato dos répteis é apurado, mas a sua visão é-o muito menos.
- A distribuição de alimento deverá ser feita por um acesso diferente do utilizado para as visitas de rotina.
- É bom ter presente que todo o proprietário de um animal é, em todos os aspetos, civil e juridicamente responsável por este.
Doenças frequentes
Nas serpentes constritoras (boas e pitons), a maioria das doenças está ligada às condições do terrário: calor, humidade e higiene.
A ter presente: uma serpente saudável depende de um calor adequado, de uma boa humidade e de um terrário limpo. A maioria dos problemas provém de um destes ajustes.
Pequenos parasitas externos (ácaros) surgem por vezes: são minúsculos pontos negros móveis na pele. A serpente permanece então muito tempo no seu recipiente de água e esfrega-se. Estes parasitas transmitem-se facilmente.
Uma muda difícil deixa retalhos de pele que não se soltam, sobretudo nos olhos. Deve-se muitas vezes a uma falta de humidade. Nunca se deve puxar a pele restante.
Baba, vermelhidão ou um depósito na boca sugerem uma infeção da boca («podridão da boca»). Bolhas, boca aberta ou um assobio na respiração assinalam uma infeção das vias respiratórias. Por fim, uma regurgitação ou uma recusa prolongada de se alimentar deve sempre chamar a atenção.
Conselho do veterinário Uma humidade suficiente no momento da muda e um terrário limpo evitam grande parte dos problemas de pele e de boca.
Quando consultar rapidamente pontos negros móveis na pele, muda incompleta (sobretudo nos olhos), baba ou vermelhidão na boca, recusa de se alimentar que se prolonga.
Quando consultar de urgência respiração de boca aberta, bolhas ou assobio, regurgitações repetidas, serpente muito debilitada que já não reage.
A reter calor, humidade e higiene do terrário previnem a maioria das doenças. Nunca arranque uma pele de muda restante. Estas informações não substituem uma consulta.